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2010/03


Mauricio Campos Padilha - Major Brigada Militar em Porto Alegre fala sobre o crack. Clique aqui!



MANOEL SOARES



Vacina contra o crack
05 de junho de 2009

Estou muito otimista com a campanha de prevenção ao crack, lançada semana passada, é contagiante ver as pessoas nas ruas, vindo falar sobre o tema, dizer que é uma baita iniciativa. Mesmo com todo o barulho que estamos fazendo ainda tem lugares aonde a informação não chega. Recebo dezenas de emails por semana de pessoas perguntando com podem abordar o tema em casa ou em sala de aula. Uma das sugestões que dou é que visitem o site da campanha: www.cracknempensar.com.br. Na pagina de abertura do site tem um link intitulado: mural. Eu às vezes passo horas lendo os depoimentos, na minha opinião, é a melhor parte do site, são dezenas de histórias que emocionam, chocam e indignam. Seria legal pegar alguns destes depoimentos e levar para que alunos em sala de aula ou filhos em casa debatessem, assim eles teriam contato com a realidade nua e crua, sem meias palavras. Pelo que tenho visto muitos jovens que se envolvem com o crack tem uma porta principal de entrada: a curiosidade. Esta parada de fazer os jovens conhecerem relatos reais mata a curiosidade, eles acabam conhecendo essa porcaria do jeito certo. É importante pais e professores entenderem que a droga que os traficantes apre sentam não é a que destrói famílias e mata em meses, mas a que dá barato e que não tem efeitos colaterais, eles em nome do dinheiro tentam fazer os jovens acreditarem que tudo que dizemos é balela, que o cara entra e sai quando quer, quando eles se dão conta, já é tarde. O momento que vivemos é antes de tudo uma guerra de argumentos, quem tiver o papo mais forte leva o coração da gurizada. Como os bastidores do cotidiano dessa epidemia não é conhecido por todos, o que às vezes dissemos é baseado no “achismo”, o que é arriscado, pois se o que falarmos não tiver solidez, vai ser facilmente rebatido, por isso dou a sugestão da galera visitar o mural do site. Outra coisa legal é que dá para baixar vídeos onde especialistas falam do tema, isso é bom para que alguns mitos sejam quebrados. Apesar da força da campanha, ela não tem o poder de sozinha erradicar o crack de nosso cotidiano, isso só será possível se cada pai, mãe, irmão, filho e filha incorporar a campanha no seu dia a dia. O Grupo RBS fez isso, eu fiz isso e você que está lendo, está pronto para combater o crack caso ele se aproxime de sua família, se não está, se prepare, pois se ele pegar você desprevenido vai devorar a alma de todos a volta, a única vacina contra o crack que funciona, é a informação.


Declaração de guerra
29 de maio de 2009.

Toda guerra só é possível se tiver um exército preparado, no caso da guerra contra o crack, o exercito da “pedra” já comprovou sua eficiência ao viciar 55 mil pessoas no estado. A sociedade recebeu ontem ao vivo por rádio e tevê uma convocação para a batalha. Nesta guerra não precisamos de armas de fogo, mas de coragem e informação, uma sem a outra não adianta, sendo assim precisamos saber usar ambas. A coragem vai nos permitir enfrentar o problema de frente, esteja ele em nossa casa, em nossa rua, bairro ou cidade, temos que olhar no olho do problema e enfrentar, no caso deste inimigo em particular, redobrar os cuidados é fundamental, pois ele usa o corpo de pessoas que amamos como arma para dilacerar a sociedade. Para que nossa coragem seja bem aplicada a segunda característica é fundamental, sem informação nossa coragem pode nos levar a caminhos errados e quando menos esperamos metemos os pés pelas mães. Já devem imaginar que o inimigo que me refiro é o crack, essa maldita pedra vem rasgando o senso humanitário com uma força estrondosa, coloca pais contra filhos e vice versa, só quem tiver bem info rmado vai poder lutar com a destreza necessária. Esta semana a luta contra o crack ganhou um forte aliado, o Grupo RBS de Comunicações decidiu fazer da luta de milhares de famílias a sua bandeira, a campanha Crack, nem pensar, foi lançada em rádio, tevê, jornal e internet. A principal função é fazer com que as pessoas entendam que o crack não a fábrica de “baratos” que muitos usuários acreditam, mas que essa é talvez a maior praga que já atingiu o nosso estado, se fossemos traçar um comparativo seria como a AIDS na África, se não houver um processo preventivo urgente em pouco tempo vai faltar covas para enterrar os mortos. Umas das mensagens quer precisamos assimilar é que combate ao crack é lição de casa, pais devem apresentar a droga aos filhos, não como se fosse um bicho de sete cabeças, mas uma arma de destruição, quem usa crack, não está se drogando, mas cometendo suicídio. A guerra está declarada, não existe imparcialidade, se ficarmos parados automaticamente já estamos trabalhando para o crack, cabe a cada um de nós tatuarmos no coração: Crack, nem pensar.


Papo reto na internet
22 de maio de 2009

Quanto mais coisas aparecem para fazer com os trampos da TV, mais eu tenho que apurar meu olhar para as periferias do estado, é o famoso “olhar de falcão” que a galera do rap comenta. Aquele olhar que em poucos minutos identifica oportunidades ou ameaças. Para quem mora no universo de chão batido isso não é novidade, infelizmente, nas quebradas uma palavra errada pode ser equivalente a um funeral. A melhor forma de chegar a ver os netos é ser a melhor forma é ter o “papo reto”, essa gíria comum nas periferias traduz a melhor forma de conduzir os assuntos, de forma direta, sem rodeios, nos papos retos do morro, a verdade deve imperar. Papo torto nunca acaba bem, minha mãe dizia que conversa de homem não faz curva, sendo assim, vale a pena empregar essa dinâmica no dia a dia. A melhor forma de identificar o papo torto é olhar no olho, é muito difícil a retina mentir, se sentir que a conversa está sendo desviada puxe para o eixo, esse é o famoso ”Papo Reto”. É este termo tão precioso nas periferias que dá título ao meu blog, um espaço virtual onde o olhar de falcão joga na rua tudo que capta nas quebradas. Volta e meia a gelera me encontrava e cobrava que não tinha como ver minha matérias das TV porque trabalhavam no horário, diziam que não conseguiam ler as colunas antigas que escrevi e por aí vai. Agora quem quiser saber o anda rolando nas periferias, quem quiser divulgar suas festas e estar informado é só acessar: www.diariogaucho.com.br/manoel e viajar, então na hora que tiver no orcut de bobeira, batendo papo no MSN, visita o blog, coloca nos favoritos e manda recados, é um canal direto onde a galera assiste reportagens sobre as periferias, textos e muito mais, vamos firmar essa parceria gora na internet também. Nos vemos no blog galera.


I have dream
08/05/2009

“I have dream”
A frase que dá título ao nosso texto de hoje, quer dizer em português: Eu tenho um sonho. Foi dita por um dos maiores lideres negros norte-americanos, que por sinal foi uma grande referência para o Presidente Obama, o nome dele era Martin Luther King Junior, no discurso que começou com essas palavras o reverendo King dizia sonhar com o dia em que os homens não mais seriam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter. Esse sonho além de servir para os negros oprimidos da década de sessenta e de hoje, serve também para as milhares de pessoas que vivem exiladas em comunidades pobres em todo o estado Bem mais humilde, meu sonho era um dia ter um espaço de televisão onde essas pessoas fossem mostradas não como bandidos ou como coitadinhos sem sorte na vida, o que infelizmente tem acontecendo muito de nuns tempos para cá. Nas periferias tem pessoas que apesar de estarem privadas do conforto e muitas vezes da dignidade, guardam em suas trajetórias de vida verdadeiras lições de honestidade e de luta e é isso que devemos mostrar. Esta semana parte de meu sonho foi realizado, e tenho alegria de dividir com vocês, a RBS TV estreou nesta segunda feira uma série de reportagens que tem como objetivo, mostrar as comunidades com seus problemas e soluções, com as coisas tristes, mas as alegrias também. em nossa primeira contamos a história do bairro Guajuviras em Canoas, em três matérias mostramos como nasceu a comunidade, mostramos as coisas bóias que acontecem no bairro e mostramos o principal problema, no caso, a violência. Na quarta levamos o Secretário de Segurança ao vivo na comunidade e fizemos um bloco inteiro do Jornal do almoço direto da famosa “Gauju”. Quem quiser ver como foi é só entrar no www.rbstv.com.br/ja, ali tem tudo. Mas a realização de meu sonho é porque esse projeto continua, outra s comunidades serão visitadas e suas histórias serão contatadas na televisão de forma digna, como me disse o morador Francisco Nunes na minha visita a Guajuviras: “Não agüentamos mais ser mostrados como uma cambada de bandidos na televisão, falta responsabilidade de alguns programas.” Sendo assim, você que lê o Diário todo dia, é convidado a ser parceiro desse projeto da RBS TV, é só entrar no site do Jornal do Almoço, este que passei aí, e contar o que tem de bom e as coisas que precisam melhorar em sua comunidade, nossa produção está atenta a todos os pedidos e quem sabe o não batemos na sua porta com essa surpresa! Eu tive um sonho, mas é como dizem se sonhamos sozinhos, é só um sonho, mas se sonhamos juntos não é sonho é realidade. Aguardo o contrato de vocês galera, vai ser um prazer contar a história de sua comunidade no Jornal do Almoço

Pandemia banalizada
01/05/2009

Atualmente, uma das palavras mais comuns na imprensa em geral é “pandemia”. Perguntei a algumas pessoas na minha comunidade se sabiam o que é. Algumas não faziam ideia.

Fui pesquisar e vi que “pandemia” é quando uma doença se espalha a ponto de tomar um país, um continente ou todo o planeta. A palavra entrou no dia-a-dia das pessoas por causa da tal gripe suína, mas, antes, devido à febre amarela e, antes ainda, em consequência da dengue.

Entendo o cuidado que a sociedade precisa ter com essas doenças, pois tudo que mata deve ter nossa atenção, porém, temos de eleger prioridades. Nesse caso, infelizmente, precisa ter maior atenção aquilo que mata mais.

A dengue é questão de cuidado doméstico e atenção do poder público. E, graças a Deus, nosso Estado não foi um dos piores no cenário nacional. A febre amarela, desde que surgiu, não morreram mais do que dez pessoas. É lamentável, mas não chega a ser uma epidemia. Temos de dar atenção preventiva, com vacinas e amparo às famílias que perderam seus antes queridos. A gripe suína nem sequer chegou ao Brasil oficialmente, que dirá atingir proporções epidemiológicas.

No entanto, temos uma epidemia que mata dezenas de pessoas a cada dia no país e tem números assustadores no Rio Grande do Sul. Por mais maluco que pareça, essas doenças que estão na mídia agora nem sequer chegam perto do desastre causado pela pedra. O problema é que, como essa epidemia, ou melhor, essa pandemia, é algo que ainda não tem tratamento certo, as mortes parecem comuns.

A maioria dos males sociais passa por esse processo, com a Aids foi assim. Entretanto, graças à insistência dos veículos de comunicação e à mobilização de organizações sociais, o mundo investiu na prevenção como melhor remédio. Temos de dar atenção a tudo, mas precisamos ter bom senso.


Família contra o crack
24/04/2009

A Secretaria da Saúde admite que existem mais de 50 mil usuários de crack no Rio Grande do Sul. E o secretário Osmar Terra afirma que mais de R$ 50 milhões por ano são investidos no tratamento dessas pessoas.

Porém, nenhum desses investimentos tem validade se, na base, os dependentes não tiverem apoio. Só na rua onde eu moro há quatro usuários de crack. A tristeza das famílias é apavorante, chega ao ponto de os pais desejarem a morte dos filhos, pois assim o sofrimento acaba.

Depois de muito sofrer, alguns jovens aceitam tratamento. Quando voltam, a luta maior é dizer “não” ao traficante que assedia constantemente.

Nessa hora, a família é fundamental. Se ela tratar o cara como um eterno viciado, pode fazê-lo ficar isolado e sem ter para onde correr, senão o colo do crack.

Recomendo que logo que um jovem procure tratamento, os membros da família também passem a frequentar um grupo de apoio, onde receberão orientações de como agir no caso de retorno do usuário à família. É importante que tenham essa base, pois um usuário de crack destrói toda a família se ela não tomar as decisões certas.

Numa família onde o mais velho é usuário de crack, por exemplo, ele tenta oprimir os mais novos, intimidando psicológica ou fisicamente em busca de dinheiro e bens. Conheço filhos que mandaram os amigos armados até a casa da mãe para botar pavor, dizendo que se ela não desse dinheiro o filho morreria. As mães, por serem as figuras mais apegadas a estes jovens, são presas fáceis. O amor que elas sentem é a maior arma do filho viciado.

Podemos dizer que são mais de 50 mil famílias sofrendo na mão da maior praga química dos últimos tempos. Se você conhece alguém que enfrenta esse problema, leve essa coluna e mostre que ele não se resolve sozinho. De um jeito ou de outro os efeitos do crack batem à nossa porta. Sendo assim, ajude quem precisa.


Cachorro de luxo e criança do lixo

17/04/2009

Estava numa rua próximo à Avenida Borges de Medeiros, no Centro, e vi uma senhora com um felpudo cachorrinho de luxo passeando. Na calçada em que ela ia passar, havia uma criança de uns sete anos revirando um saco de lixo. Ela encurtou a cordinha do seu au-au, pegou-o no colo e atravessou a rua. O que mais me chocou foi que ela tapou a visão do cachorro com a mão ao passar pelo menino do outro lado da rua.

Pensei: será que é para o cachorro não latir e chamar atenção ou porque a imagem de uma criança revirando lixo em busca de comida é forte demais para os olhos sensíveis do cãozinho de luxo? Por mais que pareça absurda a minha observação, existem pessoas que se chocam mais com as atrocidades feitas a animais do que a crianças.

As organizações para salvar baleias, por exemplo, têm mais apelo público do que organizações para matar a fome na África. Em menor escala, é a mesma coisa: há mais pessoas querendo cuidar dos bichinhos de rua de Porto Alegre do que das crianças da Vila Chocolatão.

Concordo que iniciativas em prol dos animais são importantes, até porque certos cães são mais fiéis e leais do que muitos seres humanos. Porém, dar mais atenção aos bichos que às pessoas, é contrariar nossa essência natural, principalmente quando falamos de crianças. Será que uma campanha para ajudar os bebês de usuárias de crack seria tão bem vista quanto outra para achar um lar para cachorrinhos abandonados?

Tente buscar na internet quantas iniciativas existem em prol de cada causa. Lamentavelmente, há mais gente disposta a proteger os cachorrinhos abandonados do que a ajudar a dar dignidade a crianças em situação de risco.

O que dói na alma é que, quando o sangue bate à porta, as pessoas perguntam: em que mundo nós estamos? Estamos em um mundo em que protegemos os olhos dos cachorrinhos de luxo para não ver as crianças no lixo.


Conexão espiritual

10/04/2009

Depois de ver colega rasgando colega com estilete, aluna espancando professora, pais mantendo relações sexuais com filhos de seis anos, cheguei a uma triste conclusão: o espírito desta geração está fraco. Não falo de nenhuma religião em particular, mas da espiritualidade de modo geral.

As pessoas estão ocas e, se cabeça vazia é oficina do diabo, espírito vazio é ferramenta do mal. Prova disso é a banalidade do sexo. As pessoas estão tão ocas que acabam se relacionando sem um propósito em comum. Não conhecem outra forma de buscar alegria e acabam achando que sexo é uma forma de ficarem mais vivas. Como as relações são descartáveis, o esforço é vão.

A política do “ninguém é de ninguém” é prova de que o espírito não acredita em mais nada. É como se o coração estivesse desnutrido de sentimentos nobres. O que esquecemos é que, dentro de cada um, queima um cosmos que nos conecta com algo divino. O que aconteceu com o tempo foi que quebramos essa conexão, optamos pelo operacional, pelo sustento do dia-a-dia.

O preço dessa escolha é o enfraquecimento da nossa relação espiritual. Como a espiritualidade é o alicerce da nossa moral, a maionese desandou, como estamos vendo aí. Infelizmente, esta geração não aprendeu sequer a conversar com Deus, seja lá qual seja o Deus em que cada um acredita. Por mais que pareça piegas, na hora em que o bicho pega, se as pessoas não têm a quem dobrar os joelhos e pedir ajuda, ficam perdidas.

Eu acredito que, se quisermos uma sociedade diferente, precisamos começar a reconhecer essa lacuna. Pais, professores, amigos devem estimular a construção da espiritualidade desta geração, pois é o que nos resta. Se não, esta juventude vai continuar tentando pegar atalhos para se comunicar com o que realmente são. Umas vão pelo sexo, outras, pela violência. Outras nem sequer tentam ir.


Pensando na cama

03/04/2009


O que fazer quando a carência de uma criança bate no peito de um adulto? No momento em que nos sentimos indefesos frente às avalanchas que surgem uma em seguida da outra? O pior sempre é na hora de dormir. Os 15 minutos antes do sono parecem eternos. Deve ser por isso que tanta gente dorme vendo tevê, para não enfrentar os pensamentos e as reflexões que o silêncio da noite trás.

Particularmente, tento me apegar ao fato de que Deus nunca dá o frio maior do que o cobertor. Prefiro crer que, se Ele proveu uma arca para não deixar os bichos morrerem nos dias de Noé, não nos deixará boiando num mar de pepinos. Porém, cabe a cada um fazer a sua parte. Primeiro, por não deixar a peteca cair, depois, por não ser amigo do desespero. As maiores besteiras que fazemos são na hora do desespero. Assim, resistir aos pensamentos ruins que visitam a mente nas crises é preciso.

Saber se preservar é uma boa. Geralmente, quando o bicho pega, queremos exorcizar o problema contando para outros. Cuidado! Esse tipo de terapia, às vezes, deixa-nos publicamente vulneráveis. Línguas de tamanduá atrapalham. O ideal é dividir o problema com quem pode nos ajudar a resolvê-lo e não com quem sente pena de nós.

Se a necessidade de botar para fora for incontrolável, recomendo escrever, ler e refletir o que leu. Coloque-se no lugar de conselheiro, as coisas ficam mais claras. É importante saber que os problemas são implacáveis. Para nos abandonarem, vão cobrar algum sacrifício. A questão é se temos coragem para sentir a dor que antecede a solução, se estamos dispostos a nos sacrificar em nome da paz futura ou se queremos insistir na fuga. Por pior que pareça o problema, a solução está em nós, sempre esteve, mas só aparece depois de muita reflexão e determinação. Seja qual for a porta trancada, a chave somos nós. Nossas lições não vêm da felicidade, mas das batalhas que travamos para ser feliz um dia.

Bom finde, amigos


Junto e misturado
13/03/2009

Há mais de quatro anos, grande parte de tudo que aprendo pelas periferias do país sintetizo em palavras no Diário Gaúcho. Confesso que, de todas as formas que tenho de me comunicar com as pessoas, escrever aqui é a que mais me agrada.

Recebo retorno de tudo, desde pessoas que dizem que sou um negão metido a besta até as que acreditam que eu deveria entrar para a política e tentar fazer mais pelas periferias. Talvez todas estejam certas, o que posso garantir é que meu coração bate em ritmo de favela desde que me entendo por gente. Sou seu filho legítimo, nem precisa exame de DNA. E deste coração brotam as ideias que conto, escrevo e digo aos amigos que me acompanham. Este coração favelado está fértil como terra preta, esta língua está afiada.

Sei que a borracha continua comendo, o racismo não morreu, ainda há político nos tirando para otários e imbecil vendendo crack para parentes. Não posso me encher de onda e achar que sou pop star, há muita coisa ainda a ser feita.

Fiquem atentos, eleições estão chegando. Há um monte de gigolôs da miséria se aproximando com cara de santinhos e, em breve, com a cara nos santinhos. Aproveitam-se da nossa condição para exercitar a falsa solidariedade.

E não achem que quero que meu povo seja ignorante político, que critica tudo. Ao contrário, quero é ver esses canibais políticos tomarem um susto ao encontrar uma favela politizada, consciente e capaz de dizer o que pensa. Não sou líder nem porta-voz, só não sou trouxa. Já que recebi o privilégio de dizer o que penso para mais de 1 milhão de pessoas, quero usá-lo sem decepcionar meus semelhantes.

Escrevam, deem ideias, critiquem, sejam meus olhos e eu tentarei ser a sua boca. Vejo-me como membro de uma equipe da qual cada leitor é parte. Sem vocês, sou um metido a besta falador. Com vocês, sou aprendiz de favelado.

Galera, estamos juntos e misturados



Para errar menos
07 de março de 2009
Quando me falta assunto para esta coluna, busco na minha mente alguma das pérolas que minha mãe solta em casa. Sei que, às vezes, posso parecer chato, falando da dona Ivanete a toda hora, mas quem conhece minha coroa sabe que ela é uma figura.

Na nossa casa, funciona um projeto social que atende a mais de 40 jovens com teatro, computação e outras coisas. Um dia desses, veio um menino dizendo que não gosta de fofoca, mas que ele viu outros garotos em situações assim e assado.

Dona Ivanete, com toda a sua sabedoria do chão batido, soltou:

– Olha, meu filho, quem fala pouco erra menos.

A mensagem entrou como uma flecha no ouvido de todos os presentes, foi como se passasse um filme nas nossas cabeças com todas as mancadas que demos por não saber a hora de fechar o bico. Até a Bíblia fala que a língua é mais perigosa do que uma espada afiada.

Digo, sem medo de errar, que 90% das situações de violência que acometem as periferias são porque alguém falou o que não devia. Os velhos diz-que-diz-que e tititi são cânceres da humanidade. Pior, parece que quanto mais tecnologias de comunicação aparecem mais linguarudos surgem. Há gente que faz fofoca sem sequer abrir a boca.

Falo de Orkut, MSN e outros. Você nunca ouviu falar que gente se estranhou por causa de papo errado do Orkut?

Seja sentado na frente de casa com o pescoço esticado para cuidar o vizinho, seja vasculhando o Orkut dos outros, cuidar da vida alheia é um vício. Mas uma coisa é certa, para haver fofoqueiro, tem de haver ouvinte. Conheço pessoas que dizem que não existe coisa melhor do que saber antes, porém, penso que quem fala de outro para mim vai falar de mim para outros. Nesse vaivém, eu já vi a rosca fechar e o pau comer várias vezes. Não tem mistério, o conselho da coroa é o antídoto: quem fala pouco erra menos.

Um braço galera!



Sem vingança é tranquilo

27 de fevereiro de 2009
Se há um sentimento complicado de conter é a vingança. Olhar na cara de quem deliberadamente nos ferrou em algum momento e perdoar não é tarefa fácil.

A vingança é, quase sempre, alimentada por um falso sentimento de justiça, uma política de olho por olho. Porém, quem já se vingou sabe que a realização não é tanta como se vende.

Na verdade, após a vingança, ganhamos um novo fardo, pois se, antes, era só a dor de sofrer com o mal que nos causaram, depois, sofremos pelo mal que causamos. Não recomendo que ninguém se dedique à empreitada de pagar na mesma moeda, porque, na melhor das hipóteses, baixamos nosso nível espiritual. Deitar a cabeça no travesseiro sabendo que não fomos capazes de resistir à tentação de fazer o mal é um peso monstruoso.

Conheço pessoas que dizem que, com o tempo, o peso da consciência passa, mas, na verdade, o que fazemos é esquecer das atitudes que tivemos no passado. O problema é que o passado geralmente não nos esquece, a dívida que ele cobra é altíssima.

Quando deliberadamente nos vingamos de alguém, é como se sugássemos os pecados daquele indivíduo com as nossas ações. Ele passa a ser vítima e nós, algozes. É como dar um murro na cara do sujeito que xinga sua mãe. Até temos razão, no entanto, não somos melhores. Claro que aqui, nas páginas do Diário Gaúcho, tudo é muito simples, complicado é quando o bicho pega, o sangue sobe e temos a oportunidade perfeita de fazer o malandro ver o que é bom para a tosse.

Resistir, nessa hora, requer muita força de vontade, entretanto, posso garantir que vale a pena. Para cada pessoa perdoada, podemos considerar uma nova bênção na nossa vida. Não estou falando de ser babaca, mas de ter tranquilidade na hora de perdoar. Não vou dizer que é fácil, porém, encontrar um cara que perdoamos na rua é muito bom.

Coração Blindado

20 de fevereiro de 2009

O coração dos favelados é uma das coisas mais fascinantes que tive o prazer de observar, parece que as artérias são feita de puro aço, pois só isso explica a resistência que mantém vivos corpos que tem todo os motivos para jogar a toalha, mas insistem em lutar. Os barracos onde moram leva alguns anos para ganhar o glorioso avermelhado dos tijolos sem rebocos, até que esse sagrado momento chegue, as frágeis paredes de madeira precisam ser a prova de fogo, de bala e depressão. Pessoas que vivem num cotidiano carnívoro onde é normal um pai dizer ao filho que hoje não tem janta, pior que até aí parece brutalmente normal, porém, o que espanta é que milhares de pais de famílias apesar da pressão exercita pelos olhos de fome de suas famílias ainda optam pela honestidade, recusam a opção de empunhar um canhão e buscar o sustento de sua família as custas da dor alheia. Essa nobreza não encontramos no meio político por exemplo, onde pessoas negociam vidas para manter alianças, vendem almas numeradas em siglas partidárias. É dolorosamente belo ver nossas mães ignorando um sistema social predatório, elas levantam cedo e vão trabalhar acreditando que seu pequeno esforço vai fazer a diferença. É por elas que eu escrevo, é pelo suor e sangue derramado por esses milhares de favelados obstinados pelo êxito que me mantenho de gr itando alto o meu orgulho em ser parte dessa massa. Como eu disse, não tem outra explicação, as artéria deles são feitas de aço, e digo mais, o coração deve ser blindado, pois só um coração blindado enterra o filho num dia e sai para fazer faxina e virar massa no outro. Posso afirmar que, nos muitos lugares que andei, não encontrei pessoas mais dignas de meu respeito e admiração que nas periferias. Pessoas com pernas e braços inchados de tanto trabalhar, mas que jamais abandonam a guerra, mesmo sabendo que o que elas ganham em um ano, muitos faturam em um dia, são indestrutíveis. A única coisa que posso garantir a esses milhares de guerreiros e guerreiras é que sua labuta não é em vão, como eu a milhares e milhões querem fazer o esforço de vocês valer a pena. Beijo o coração de todos.



Diário de um advogado

Por Antônio Carlos Côrtes

Filio-me a corrente de que não existe opinião pública, mas opinião do que se publica. Manipula-se, distorce a informação com propósito definido. Manter a atual situação, onde o negro não consegue, ingressar na universidade, e por isto não se qualifica e logicamente não consegue bons empregos.
É o caso do filho que mata o pai e a mãe, para reivindicar da sociedade, apoio porque é órfão.
O privilégio que as elites dispõe desde o descobrimento, quer a manutenção do status quo. A elite social, econômica, política, ao longo do tempo só gerou retórica, e ainda se apropriou dos frutos dos trabalhos dos escravos e impediu-os de sequer criar aspirações maiores.
As políticas afirmativas por exemplo, em relação a universidades, têm de vir casadas com a possibilidade de cotas também nos empregos, concursos públicos.
Com inspiração no direito comparado a países que enfrentaram situação idêntica, como África do Sul, Estados Unidos (John Fitzgerald Kennedy na década de 60 decretou que 12% das vagas nas universidades ficassem reservadas para negros. Correspondia a exata proporção da população negra na sociedade americana), Inglaterra e Alemanha, o nosso país é o que tem menos negros nas universidades, inclusive em estados como da Bahia, onde há uma maioria negra em termos de população. Razão porque estas políticas afirmativas se tornam um fim em si mesmas.
Salvador, capital da Bahia contempla as maiores desigualdades, eis que mais de 80% da população é negra. Onde estes têm 35,9 por cento do rendimento-hora dos trabalhadores não negros.
É obrigação da união, estados e municípios desenvolverem políticas públicas, pois estes é que tem a caneta e a chave do cofre.
Um dos argumentos dos contrários à política de cotas é que os competentes vencem. Não é bem assim, pois conheço muitos negros que conseguiram furar o bloqueio que lhes é imposto e ocupam lugar no mercado de trabalho ao lado do branco, mas sua remuneração não é a mesma. Logo, este argumento é oco.
Dizer que o ensino terá sua qualidade ferida é falácia, e multiplica por dez o preconceito, pois então estão a dizer que os habitantes das periferias das grandes cidades são incapazes de lutar para melhorar. Por que estes arautos não dizem nada dos que entraram nas universidades com as notas que hoje são exigidas para as cotas?
Entre os negros com 12 anos ou mais de estudo, a desvantagem salarial em relação à população branca se mantém. Eles recebem pouco mais da metade do rendimento-hora dos trabalhadores brancos. Segundo o IBGE. A situação mais grave esta em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

Grande Abraço



Diario de um advogado II
Por Antonio Carlos Côrtes

BARACK HUSSEIN OBAMA JR e o BRASIL

Sempre orgulhosamente negro, desde criança ouvi no Colégio Nossa Senhora das Dores, onde estudei com meus irmãos que aqui no Brasil não havia racismo. O mesmo ouvi na Universidade Federal. Diziam também que racismo mesmo era nos Estados Unidos, onde os negros eram espancados e discriminados. Sabia que aquelas informações falseavam parte da verdade. Pois agora a mascara dos racistas daqui caiu. Se os estadunidenses (eis que americanos somos todos nos nascidos nas Américas) eram racistas e elegeram um negro para Presidente, o que dizer dos brasileiros, que negam este racismo aqui, mas não elegem vereadores, deputados, senadores, governadores e presidentes. Deixo claro que meras exceções não põe em dúvida a regra. Vale o mesmo para todos os escalões municipais, estadual e federal? Agora terão de arrumar outra desculpa. Pois se lá no Tio Sam, a maioria não negra mudou, por que não aqui, a maioria negra poderá dizer sim nós podemos? Por tudo é bom conhecer melhor Barack Obama, o Professor e Advogado Especializado em Direitos Civis lendo pelo menos, dois livros autobiográficos, Dreams from my father, cuja tradução significa Sonhos do Meu Pai e The Audacity os Hope- A audácia da Esperança.
Há quem cobre grandes idéias deste líder. Mas só em ter posição clara e consolidada pela total liberdade de imprensa, verdadeira fiscal do poder, ser contra a Guerra do Iraque e preocupação com a vida do Planeta Terra, já me basto. Lembro de um título do jornal New York Times, quando foi deflagrada a II Guerra Mundial. “Estourou a Paz ." Uma Guerra nunca é boa para ninguém. Que a Mãe Terra, chora é uma evidência.
O respeito, que Obama tem pela instituição família, mulher Michelle Robinson Obama e as filhas Malia Ann e Natasha, me fazem lembrar frase escrita na esquina da Avenida João Pessoa e Princesa Isabel: “Família. Pai, Mães, filhos. Exemplo simples repetido infinitamente por toda a natureza.”.
Que OBAMA representa a Mudança ninguém tem dúvida.
Ouvi a mídia brasileira elogiar a elegância de Michele e das filhas, Mais uma vez revelam preconceito, pois para a compreensão da matéria esta constatação é irrelevante, pois queriam o que? Negros não podem vestir bem, com apuro e bom gosto. Respeito os que pensam em contrário, mas de forma involuntária, inconscientemente expressam resistência a Barack Obama, assim como aqueles que antes da eleição assumiam ser adeptos de Hillary e depois de MacCain.



Órfãos da moral

Confesso que não sui daqueles pessimistas que metem pau na espécie humana, realmente acredito que as pessoas sempre que possível vão mostrar o seu melhor, vão fazer o bem. Ainda acredito que as pessoas só destilam seus venenos quando são provocadas. Mas contraditório como sou algumas experiências as vezes abalam essa minha forma de ver a vida. Esta semana entendi que o segredo da felicidade é sempre que possível fazer o bem sem esperar reconhecimento ou gratidão, a moral é que mesmo quando damos um copo para uma pessoa nos pede, devemos ficar felizes por contribuirmos para matar a sede de alguém, se essa pessoa vai nos dizer obrigado é só um detalhe, não invalida nossa ação. Quando esperamos das pessoas um gesto de reconhecimento, abrimos porta para a decepção e a decepção é uma porta para a tristeza. Sendo assim temos que fazer gestos de solidariedade e de bondade não porque somos melhores que os outros ou porque precisamos aliviar nossa consciência, mas porque é o coreto a ser feito. Eu acho uma viagem ficar nivelando tudo por baixo, só para dar um exemplo, quando fazemos um alarde porque uma pessoa achou uma mala de dinheiro e devolveu, estamos aplaudindo alguém por ser honesto, e ser honesto não é qualidade, é obrigação. Entendo que dar visibilidade a situações como essas, podemos estimular outras similares, mas por outro lado, também admitindo que a sociedade está moralmente falida, que a galera em geral é desonesta. Mesmo que as coisas estejam nesse nível precisamos ainda saber onde estão aqueles conselhos que ouvirmos desde criança, senão as futuras gerações vão achar que o correto é não devolver a danada da mala, por exemplo. Além de devolver a mala eles não devem ficar triste se o dono não der recompensa, afinal não devemos devolver mala para ganhar recompensa, e sim porque é o correto a ser feito, sem essa herança nossas futuras gerações ficaram órfãos da moral e do senso de justiça. Sei que não é mole colocar essas paradas em prática, que na hora pode bater aquela dúvida e depois aquele arrependimento, mas lá no fundo do coração sabemos o que é correto a ser feito, sendo assim a morta é se esforçar para não deixarmos a lógica invertida da sociedade não contamine o que entendemos por honestidade e justiça.



A princesa esqueceu do dia 14

No dia 13 de maio de 1888 a princesa Isabel assinou a abolição da escravatura, aliás “abolição”, porque ela só fez a metade do serviço. Se o dia 13 foi de alegria o dia 14 foi de desespero, porque cerca de cinco milhões de pessoas estavam à deriva sem rumo. Depois da sacanagem que o Império Português fez para com o negros deixa seqüela até hoje. Por mais de uma vez vejo pessoas me dizerem que não foram só os negros que sofreram, mas o que as vezes as pessoas esquecem é que as outras nações e etnias que vieram para o Brasil, vieram como imigrantes, os negros vieram como escravos, não tiveram escolha, não ganharam um pedacinho de terra nem sementes secas. As outras etnias trabalharam e sofreram para que seus filhos não passassem terem um futuro melhor. Os negros trabalharam e sofreram para que os filhos de seus senhores tivessem um futuro melhor, entendem a diferença? Claro que não podemos condenar a geração de hoje pelos erros cometidos pelos seus antepassados, é injusto, mas também é injusto que a geração dos negros de hoje sofram as conseqüências de uma geração que achava que o negro era um semi-animal e que o branco era um semi-deus. Está certo que existem brancos pobres também, mas peço que observem que mesmo dentro das periferias o dono do armazém, do boteco, do mercadinho é branco, é muito difícil ver um negro dono de um estabelecimento dentro da periferia, ou seja, mesmo dentro da favela existe uma diferença de classe que pode ser facilmente identificada através da cor da pele. Discutir a questão racial não deve ser motivo de polêmica nem de constrangimento, pois a sociedade como um todo perde por isso, já que a princesa Isabel e sua corja não se deram ao luxo de usar de bom senso, não façamos os mesmo, mas tudo isso seria evitado se ela assinasse a abolição no dia 13 e a carteira de trabalho no dia 14, como isso não rolou, vamos correr atrás do preju né? Forte abraço.


Patrocinadores da morte



Um dia desses teve um maluco que veio no morro onde eu moro cheio de boas intenções, dizendo que era um absurdo os meninos morrerem com uma bala na cabeça antes de perder a virgindade, que as mães lutadoras da comunidade não deveriam sofrer tanto e tal. Eu botei uma fé nos papos dele, me pareceu ser um bom aliado. A casa caiu quando eu dei uma banda na Cidade Baixa em Porto Alegre e vi o mesmo suposto aliado num cantinho com nariz todo branco de cocaína, olhei bem na cara dele e disse que o nariz dele é que financia a cabeça que ele viu estourada lá no morro. Ele engoliu a resposta a seco, mas duvido que tenha abandonado o pó. O que me dói é que depois esses malucos vão participam de campanhas em favor da paz, levantam os dois dedinhos e fazem cara de inocentes. É uma viajem, porque por eu usar dread e ser negro tem gente que tira onda quando eu digo que não fumo maconha e não bebo cerveja, e isso não é porque sou santo não, mas porque 90% doas tretas que vejo nas periferias tem drogas envolvida, seja ela lícita ou ilícita, quando vejo um loirinho de caro importando patrocinando o genocídio na favela me revolta, mas não dá para generalizar. Tem muita gente que de corpo e alma dedicam a sua vida para que os jovens das comunidades tenham mais oportunidades. Sem contar que esse papo que a desgraça da favela é bancada somente pelo play boy que sobe o morro, não é bem assim, muitas comunidades são auto-sustentáveis quando o assunto é tráfico. Tem traficante que esgota seu estoque de “pedra” com os viciados de sua própria comunidade, depois compram botijão de gás para meia dúzia, bancam a festa de natal e ficam “bem na foto”. O poder público que deveria não deixar brecha para o “Robim Hood” de araque são os primeiros a ficar sentados em cima das soluções e negocia-las quando convém a eles. Uma parte de juventude das periferias morre consumindo drogas, outra parte morre vendendo. Aqueles não vendem nem usam, lutam para provar que é não são nenhum dos dois para tentar vencer na vida. a sinuca é de bico amigo, vou ficar por aqui hoje galera, mas meu respeito para quem é pelo certo. Forte abraço.



Sociedade deficiente


Não sou especialista, mas ouvi casos em que a menos de 30 anos, ainda se tratava com choques elétricos o que a sociedade definia como deficientes mentais. Hoje sei que muita coisa mudou, milhares de profissionais dedicaram suas vidas, para que absurdos como estes pertencessem ao passado. Porém, nas periferias de todo o país, e nisto incluo o nosso Estado, milhares de famílias que tem em casa pessoas deficientes mentais ou que sofrem de transtornos psíquicos vivem verdadeiros infernos. A cada surto vivem o que nós talvez não resistíssemos uma única hora. Sei que profissionais da saúde dedicados, fazem o possível e às vezes o impossível para amenizar, mas a maquina pública, não tem um sistema de assistência atenda as necessidades existentes. Ontem ao ter contato com um caso destes, eu sentei para chorar. Chorei após ver uma mãe de uns 60 anos, que corria num beco atrás do filho de 31 anos em surto, às onze da noite. Fui tentar ajudar, mas ela pediu que, a deixasse só, pois, ele poderia ficar mais violento. Antes de sair, ela disse em voz tristemente esperançosa: “O medico falou que ele não vive até os 40 anos.” Não me agüentei, ela virou e eu sentei na calçada e desabei. Agora quando escrevo, ainda sinto a minha fragilidade diante da cena, acredito que Deus me faça viver estes momentos para eu possa dividir com vocês e assim, buscarmos ajuda juntos. Onde mora a solução não sei, mas parte do problema mora na falta vontade política em sensibilizar-se com mães que chegam ao ponto de esperar que nem que seja com a morte, o filho doente mental encontre paz. É a falência do sistema sendo mais forte que o amor de uma mãe. Nós distantes do cotidiano dela, que nos sensibilizarmos uma vez que outra, e temos um breve contato e depois saímos fora, podemos até julgá-las assim ou assado. Mas a verdade é que, o bastidor deste universo doloroso só conhece, quem vive. Não concordo com o sentimento daquela mãe, mas não me sinto a vontade para fazer julgamentos. Se for para falar de deficientes, pelo que me parece, mentalmente deficientes somos nós, enquanto sociedade, que assistimos estes dramas sem exigir mudanças.



Meninos crescidos, não são homens


O período mais complicado da vida é de 14 á 17anos. A questão é quem mora nas comunidades precisa ficar atento, pois ser filho de bacana e estar nesta faixa etária é uma coisa, estar na periferia nesta fase da vida ,é outra. Quer ver só: se filho de bacana é pego com um cigarro de maconha é usuário, vai para clínica tomar medicamentos. Na periferia é maconheiro sem-vergonha e toma umas conchas, se chiar muito vai para o fechado. Se em outras classes roubar objetos pequeno é cleptomania e vai fazer terapia. No morro é chinelagem e a família geralmente tem que se mudar para o “mané” não morrer. O martelo tem mais peso para nós, essa é a verdade. Há um período na vida do jovem onde sua identidade está sendo definida, é um momento de experiências. Neste momento ele pensa que é punk, skatista, rapper, pagodeiro, emo, funkeiro e por aí vai. O que assusta é que por conta do acesso que nossas periferias tem a situações ilícitas, o risco destas tentativas e descobertas pode ser letal. Um momento onde muitos erros são cometidos, a questão é que nessa confusão de personalidades a serem experimentadas alguns acreditam que são bandidos, acham que o ferro na cinta, a gíria e a cara de mau fazem deles bam-bam-bans da boca. O resultado é que 480 mil jovens de 18 a 24 anos cumprem penas no Brasil. O que era para ser um período de transformação, tornasse uma sucessão de tristezas. Nestes erros da juventude, vidas se vão, famílias são desfeitas e mães choram na fila de presídios. Acho que os pais precisam fazer os filhos entenderem que: meninos crescidos não são homens. Apesar do tamanho que tem e dos fiapos de barba na cara, eles ainda guardam em seus corações sentimentos de meninos e medos de criança. Antes de sermos melhores amigos de nossos filhos, temos que ser pais e mães, melhores amigos eles terão na escola, no futebol ou na comunidade, os melhores amigos serão parceiros de gandaias, de noitadas e festas. Porém, hora que o tempo fechar, os melhores amigos vão tremer na base pois não tem alicerce de vida, mas os pais não podem tremer, e aí está a diferença, vão segurar no osso e ser a fortaleza. A maior função dos pais é dizer para os filhos o momento que eles cresceram, nem antes, nem depois, mas na hora certa.


Toque de parceiro
Não sou de uma velha guarda romântica, mas confesso que essa rapaziada de hoje me assusta um pouco. A falta de habilidade em conquistar uma mulher é apavorante, coloca em risco a sobrevivência nossa espécie. Não vou nem sequer entrar no mérito do amontoado de cantadas chinelas que as minas ouvem por aí, mas na falta de tato, até mesmo daqueles bem intencionados. Não sou professor destas paradas, mas tem umas dicas que fazem parte do cardápio da boa educação rapaziada. Por exemplo, na hora que conhecemos uma moça, não estamos nos vendendo, se ela parou para nos dar atenção é porque gostou, então a moral é deixar ela falar a vontade, tem maluco que só fala de si e depois não sabe porque a mina não deu o telefone, ele não deixou, poxa! Outra coisa importante é o olhar, sei que muitos meninos são tímidos, mas a firmeza de um homem não se mede na força com que ele aperta mão e sim, no quanto seu olhar consegue ficar fixo nos olhos dela, o quanto você consegue estar atentos a detalhes, eles quem dirão a personalidade que ela tem. Quando estiver com ela, dedique a ela sua atenção, deixe claro que seu mundo parou para vê-la passar, se ela não tiver sua atenção, você não terá a dela. Evite chamar atenção do mundo para si, o momento da conquista é particular, o coletivo nesta hora só atrapalha. Falar baixo é importante, sempre que possível a faça sorrir, independente da idade a conquista gera ansiedade, nada melhor que um sorriso para amenizar o clima. Se tem maluco por aí tirando uma de predador, vou logo dando a real, somos presas, e isso não papo feministas não, é só observar, tem pelo ao menos cinco mulheres para cada homem, mas que ainda corre atrás somos nós. Elas até podem entrar no jogo e tal, mas no fim das contas pode ver se tem uma na sua, você está no rastro de no mínimo três. Elas ditam as regras de quando e onde, e nós se formos espertos não tentamos bancar os espertos. Como último toque, quero lembrar que não existe homem malandro para mulher, então meus parceiros, cheguem no sapatinho.


Ultima Chance
Milhares de jovens hoje se sustentam com a grana que vem do tráfico de drogas, e esta verdade pode até ser ignorada pelo poder público, mas não por nós que moramos nas periferias. O mesmo menino que hoje está em uma sala de aula aprendendo a ler, pode e em muitos casos está sendo catraca de uma engrenagem perigosa, que só tem como caminhos a morte e a cadeia. Neste cenário complicado temos muitos pais que não tem muito a oferecer aos seus filhos e acabam concordando com o caminho que eles tomam na vida. Depois de um tempo começam a receber o dinheiro que o filho traz, acostuma-se a vê-los armados dentro de casa e por aí ai. Este consentimento é, por mais que não seja a intenção, um aval para a continuidade do filho nessa vida. Sei que a maquina do crime é poderosa e sedutora, sei que é lucrativa para o filho e muitas vezes para a família, mas aceitar isto como uma alternativa é desistir da vida do seu filho. Nas comunidades onde circulo, colocar em prática o que digo, parece papo de moralista barato, pois não tem palavras bonitas que façam passar a fome, mas também conheço os urros de uma mãe que reconhece o filho no necrotério. Por mais útil que seja o dinheiro que seu filho trás para casa jamais pagará a dor de perdê-lo. Muitos pais dizem que tentaram de tudo e não adiantou, mas precisamos continuar tentando, o mundo não quis nem tentar, a sociedade já desistiu, somos a única chance destes meninos, não sejamos mais um a cavar suas covas. Dinheiro bom, é o dinheiro limpo que vem fruto do trabalho honesto, mesmo que pouco. Nossa luta não pode enfraquecer. Beijo nos corações calejados.



O medo da vitória
Poucas coisas dão tanto medo em quem sempre tomou porradas da vida, quanto vencer. É meio contraditório, mas quem se esforçou pra caramba para passar no vestibular, depois que passou sabe do que estou falando, que lutou por um trampo e depois conseguiu também. Este momento pós vitória as vezes assusta, mas digo a vocês que é normal, este momento geralmente vem depois da euforia. É um sentimento importante, pois demonstra a responsabilidade que temos com as conquistas de cada dia.Existem aqueles que desdenham destes momentos, este tipo de atitude é sinal de uma falta de respeito próprio, pois para que o mundo respeite seus méritos, você precisa respeitá-los. Particularmente, depois de uma conquista tenho o costume de pedir a Deus três coisas que acho fundamentais: proteção, sabedoria e saúde. Proteção contra a inveja e demais sentimentos negativos que surgirão. Sabedoria para que essa minha conquista seja bem administrada e que eu possa utilizá-la para o bem dos que eu amo. Por fim, saúde, pois sei que nada na vida funciona ou vale a pena se não tivermos bem, e a saúde que peço não é somente a física, mas a mental e emocional, e claro não somente para mim, mas para todos aqueles que Deus julgar merecedores. Acho que cada sucesso que temos na vida também é uma prova para sabermos se estamos prontos para o próximo estágio, como passar das telas num vídeo game sabe? Não existe truque para felicidade e sim uma lei de atração, quem faz o bem recebe o bem, e vive-versa. Quando o sucesso bater a sua porta e uma insegurança botar a cara na janela, não a deixe entrar, mas ouça o que ela tema dizer, pois o medo é um importante sensor que evita que os sábios caiam de cabeça nas roubadas da vida. Um abraço galera.



Capitalismo do bem

O grau de capacidade de uma pessoa geralmente é medido por suas conquistas. Por exemplo, um cara que chega num carro bacana na festa teoricamente é bem sucedido e tal. As meninas geralmente não querem o pelado que não tem nem sequer para a passagem de ônibus. Isto é o tão temido capitalismo, por mais que não queiramos medir alguém pelo que ele tem, é inevitável não fazer isto. O capitalismo porém, tem umas regras que levam estes conceitos longe demais, tipo aquela regra que diz que quem é competente tem dinheiro. Todos nós temos qualidades que são mais importantes e valiosas que o dinheiro, porém precisamos aprender a capitalizar estas qualidades, ou seja, usá-las para nosso sucesso também financeiro. A honestidade é uma qualidade rara que não tem preço, mas no mercado de trabalho ela é valiosa, esta qualidade associada a outras podem fazer a nossa diferença no mercado. Infelizmente no Brasil, perece que ter dinheiro é pecado, geralmente quando um cara está se dando bem, comprando seu carro ou reformando sua casa, ele tenta minimizar sua conquista como se não fosse nada. Vem um e diz: - Poxa, comprou um carro novo né? E respondemos: -Não é um velhinho e tal. Sei que queremos evitar o olho-grande, mas gente, trabalhamos para vencer e não devemos ter vergonha da nossa vitória, pois se é honesta e merecida, os invejosos vão se secar, mas só vão nos atingir, se dermos brechas. Por sermos boas pessoas não precisamos ter medo do dinheiro, quem tem bom coração também merece viver e passar bem, isso não é pecado. Pecado é ser menos que podemos ser por um conceito distorcido de humildade, por essas e outras tem gente mal caráter ganhando espaço e se dando bem na vida. Seja do bem, mas vá lutar pelo que é seu sem ter medo de rosnar caso alguém se grude em seu osso. Para o bem viver, tem que se manter vivo.



ANDRÉ LEITE


NÃO DEPENDE MAIS DE NÓS
Estamos novamente em época de ereções,digo eleições municipais. Mudanças a vista na burocracia, mas o dia-a-dia tente a piorar cada vez mais.A renuncia do prefeito eleito frustrou a comunidade que sonhava com um dejavu aos promissores anos 80. Se conseguir um bom candidato a prefeito já é um pepino, imaginem um casalzinho de políticos. Cada eleição ou retrocedemos ou estagnamos (o que não deixa de ser uma vitoria). Sete candidatos a prefeito:quatro figurantes, dois coadjuvantes decadentes e um protagonista. Cidade pobre nas mãos de corsevadores é um porre. Fica com cara de republiqueta de bananas nanicas.Alguém que pensa como rico logicamente vai governar para os ricos. Os conservadores gostariam de pegar o pobrerio e colocar num contêiner e mandar para o atol de bikini mas pobre vota, e o pior , o pobre vota neles.Então rola uma meia dúzia de casinhas de cinco metros quadrados e um arroza o seco na merenda. Os liberais ( no Brazil se auto-intitulam forças de esquerda...qua, qua, qua...) acham que o povo gosta de pensar. Ele até sabe mas tem preguiça. Se uma pessoa tem preguiça de ler legenda em filme vai se esperar o que?O sonho da plena participação popular é utópico e hipócrita.Imagine colocar uma quinta marcha num povo que somente anda de ré?"Os figurantes tem a única intenção de ser projetar para uma futura eleição legislativa e angariar um empreguinho no futuro conforme quem vierem "a " apoiar".Temos que contar com a sorte para sonhar em uma cidade ao menos com vergonha na cara e habitável (pelo amor de Deus, chega de comparações com Caxias ou Rio Grande, vamos construir nossa historia...). Um bom candidato, infelizmente para nós, leva junto um mafa de degredados, sanguessugas e espertalhões quais somente na política poderiam enriquecer sem ir para a cadeia. Não adianta alimentar nenhum tipo de falsas esper anças. Sem a eliminação dos cargos de confiança e dos subsídios do vereadores ( essa é de doer) de nada vai adiantar campanhas de voto consciente. Vai ter veinho e criançinha morrendo enquanto não se extirpar o câncer: Ser um vereador é uma honra muito superior a salários e quem se rende a isso tem que ser banido da função publica representativa

O ANJO
Eu tenho que evitar que criminosos nasçam. Eu odeio o barulho dos ambulantes. Parece que eu estou na idade media. Eu sou um anjo, um anjo que tem uma missão. Matar assassinos antes que eles nasçam. Deus me fez viver nesta era e neste corpo,por que é melhor para os humanos. Não sei por que nós, seres perfeitos temos que tomar conta de humanos falhos. Cada vez que eu vejo uma menina ou mulher grávida eu começo a pensar que poderia ser o anticristo sendo gerado. Imaginem quantos Hitlers eu já tinha evitado que nascessem. Os humanos deviam muito a mim. T inha dias que eu vendia 10 ou 20 comprimidos. Deus deve se sentir orgulhoso de mim. Os humanos me tratam mal. Eu sempre sou visto como um marginal. Os outros anjos não falam comigo, pois meu trabalho é direto com Deus. Nas noites Deus se comunica comigo através dos sonhos, eu vejo luzes indo em direção ao céu. Os espíritos das almas que evitei que encarnassem. O problema e a dor que eu sinto. Toda a vez que uma alma voltava ao céu parecia que minha carne rasgava de dentro para fora. Era rápido, pois era insuportável. Uma provação de Deus para mim... Mas tenho medo de algo. E se eu não for um anjo?E se eu realmente tiver nascido numa vila miserável, tendo uma infância esquecida, uma vida fracassada correndo atrás de trocados para sobreviver. E se eu não passar de um assassino que mata e ensina a matar por meia dúzia de trocados. Depois que pego a Bíblia e começo a rezar para que tudo seja verdade e eu não seja um demente...


PELOTAS 2008 d.c.
Tenho passeado muito por Pelotas nos últimos dias. Tenho tempo para observá-la. Pelotas é um ser vivo que se desenvolve e cresce a cada dia. A cada dia novas construções. Um coração vivo lateja no vai e vem frenético de pessoas que vão para algum lugar. Gente de todo o tipo. Do véu da muçulmana e suas tradições até a menina do piercing tentando se destacar na multidão sem ter nada a mostrar ou a dizer. Um trânsito onde as ruas tem mais carros que elas podem suportar, as sub-habitaçoes governamentais e as favelas, a fome, a miséria... Pecados e vaidades da ração humana em qualquer lugar do planeta.Pelotas é um organismo que se expande, para a alegria de alguns e para a tristeza de outros pois em nome do progresso muitas vidas são ceifadas. São mais de trezentas mil pessoas ligadas a este ser, pequena Gaya...196 anos. Uma adolescente perto de Moscou, uma bebe perto de Marselha , mas estas e outras cidades do velho mundo já cresceram e se desenvolveram praticamente em tudo que podiam, enquanto os potenciais de Pelotas estão totalmente ocultos e inexplorados. Não podemos confundir trabalhar para uma Pelotas melhor com autopromoção...Temos que cuidar desta pequena parte de Pelotas que cabe a cada cidadão bem melhor que a nossa casa, e relaxamento ou porquisse não faz parte do dicionário de alguém que se diz gente.
Tenho certeza que na comemoração do ano 1000 os nossos nomes estarão eternizados em algum lugar como os pioneiros de uma grande cidade que somente o futuro sabe o que esta reservado a ela e seus habitantes.





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